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Que coceira!!! |
Calma! Não vá associar o título à imagem acima e concluir que sou uma piolhenta! Na verdade, já fui. Talvez uma das pessoas que mais carregou este bicho asqueroso na cabeça. Mas isso faz parte do passado. E não sai da minha memória.
Entretanto, como já escrevi em outra postagem, lembrar a minha história é algo que faço com prazer, embora, é claro, o episódio dos piolhos não esteja entre os que marcaram positivamente minha trajetória nesta vida terrena.
É importante que você saiba: minha mãe é e sempre foi uma mulher muito zelosa pelas filhas. Mas, talvez devido à minha cabeleira intensa, por mais que ela cuidasse esta praga tomou conta de mim, ou melhor, da minha cabeça. Minhas irmãs também passaram por isso, mas o que importa agora é relatar o meu drama pessoal.
Logo que entrei na escola eles fincaram uma bandeira no meu couro cabeludo, possivelmente com os dizeres: "Aqui é a nossa casa!". Longe de mim julgar que os meus amiguinhos de colégio foram os responsáveis por isso, mas a verdade é eles "surgiram" depois que comecei meu processo de alfabetização.
Sobre esse assunto eu poderia fazer inúmeras postagens, mas não é um tema muito agradável; é nojento mesmo. Então, tentarei ser breve.
1980. Eu, uma doce criança, perto dos 7 anos. Cabelos compridos, bem cuidados, lindos. E de repente: uma das piores cenas da vida de minha mãe: a descoberta da primeira lêndea! E se onde há fumaça, há fogo, onde há lêndea, há piolho! Aliás, piolho não, piolhos! Dezenas deles.
Começou então uma batalha quase pessoal entre minha mãe e eles. Imagine todo tipo de tratamento possível. Mas não remédios da farmácia. Ou manipulados. Veneno mesmo. Fumo e coisas do gênero. No 2º ano do primário, meus cabelos já estavam cortados na altura do pescoço.
A pior recordação deste período piolhento da minha vida é o "dia do veneno". Quem nunca passou por isso não vai entender. Estávamos nós, devidamente enfileirados, estudando (naquele tempo era muito comum os alunos estudarem...), quando chegava alguém da escola dizendo: "Hoje teremos revista de piolho". Não. Não era um revista com um piolho na capa. Era o dia em que alguém, sem o mínimo respeito por nós, indefesas crianças, mexia em nossos cabelos, fuçando por entre os fios à procura daqueles seres (minha cabeça está até coçando agora, só de lembrar...).
E é claro que eu sempre fiz parte da "fila do veneno". Uma humilhação sem tamanho. Uma senhora, com cara de poucos amigos, ficava ali, cumprindo o seu papel de "algoz". Cada um de nós, pobres piolhentos, tinha sua cabeça revestida por um líquido nojento, fedido, mas que na visão daquelas autoridades iria resolver o nosso problema.
Com aquela coisa nos cabelos não havia condições de continuarmos estudando. Éramos "dispensados" antes do término das aulas. E lá ia eu, com a minha maletinha marrom nas mãos, cabelos molhados, cheirando a veneno, pelas ruas do meu bairro, morrendo de vergonha.
Pode? Meu Deus! E não havia um só pai ou mãe que tomasse alguma satisfação. Para a família, era um direito da escola fazer aquilo.
Bem, isso durou até 1985. Não me pergunte como consegui me ver livre deles; não sei responder. Talvez tenham cansado de morar no meu couro cabeludo.
Ainda bem que, apesar de todo o sangue que tiraram de mim, consegui sobreviver. Sobreviver para contar essa história repugnante.